Segundo o empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos, Paulo de Matos Junior, o compliance deixou de ser etapa burocrática e passou a definir o ritmo de quem quer operar como PSAV, o prestador de serviços de ativos virtuais. Muitos pedidos de autorização atrasam por falhas básicas, e não por falta de capital ou tecnologia. O regulador examina a consistência da empresa inteira, e qualquer lacuna de governança impacta na análise.
Isto posto, os erros mais frequentes se concentram em três frentes: governança mal definida, documentação incompleta e controles internos que existem apenas no papel. Cada falha gera pedidos de esclarecimento, reabre prazos e consome meses de operação parada. Pensando nisso, a seguir, veremos como revisar essa estrutura antes de protocolar o pedido.
Por que o compliance atrasa tanto a autorização de uma PSAV?
O pedido de autorização funciona como um retrato da empresa. Conforme pontua Paulo de Matos Junior, o regulador cruza estrutura societária, políticas, responsáveis e sistemas, e qualquer divergência entre esses elementos gera exigências. Quando o dossiê chega fragmentado, a análise recomeça a cada resposta. O resultado prático é um processo que se arrasta, enquanto a equipe corrige o que deveria ter nascido pronto.
Aliás, o atraso quase nunca nasce de um único problema grave. Ele surge do acúmulo de pequenas inconsistências, como um organograma desatualizado ou uma política que contradiz o manual operacional. Cada ajuste parece simples, porém, somados, eles empurram a decisão para frente e elevam o custo de entrada no mercado.
Quais erros de governança e documentação aparecem com mais frequência?
Os erros de governança e documentação formam a primeira barreira de um pedido de autorização. Eles aparecem cedo no processo e, por isso, travam todas as etapas seguintes. A lista abaixo reúne as falhas recorrentes que mais geram exigências do regulador e que, em muitos casos, poderiam ser evitadas com uma revisão interna prévia:
- Responsáveis indefinidos: Diretores e encarregados sem atribuições claras ou sem comprovação de aptidão;
- Estrutura societária opaca: Cadeias de controle sem identificação dos beneficiários finais;
- Documentos desatualizados: Certidões, atas e políticas com datas vencidas ou versões conflitantes;
- Políticas genéricas: Manuais copiados de modelos, sem relação com o modelo de negócio real.
Esses quatro pontos revelam um padrão: a empresa trata o dossiê como formulário, e não como prova de maturidade. De acordo com Paulo de Matos Junior, quando a documentação reflete a rotina real, o regulador encontra coerência e reduz as perguntas. Porém, quando ela apenas cumpre protocolo, cada incoerência vira uma nova rodada de exigências.

Controles internos que existem apenas no papel
Os controles internos sustentam o compliance no dia a dia, e o regulador testa essa sustentação. Prevenção à lavagem de dinheiro, gestão de riscos e segurança da informação precisam de rotinas, responsáveis e evidências, como informa Paulo de Matos Junior, empresário do segmento financeiro, nas áreas de câmbio e intermediação de criptoativos. Logo, quando a empresa descreve processos que ninguém executa, a diferença aparece logo nas primeiras perguntas e compromete a credibilidade do pedido.
Assim sendo, o erro mais caro é adiar a implantação para depois da autorização. Sem testes de monitoramento, sem registro de alertas e sem treinamento da equipe, a empresa não demonstra capacidade de operar com segurança. O regulador interpreta essa ausência como risco e responde com novas exigências, que estendem o cronograma.
Como evitar atrasos antes de protocolar o pedido?
Comece por um diagnóstico interno que simule a análise do regulador. Revise organograma, políticas e evidências de controle, e corrija contradições antes do envio. Em seguida, nomeie responsáveis, teste os processos e arquive os registros. Segundo Paulo de Matos Junior, essa preparação reduz o vaivém de exigências e transmite ao regulador uma PSAV que já opera com disciplina.
Ademais, organize também o dossiê com um índice único, no qual cada documento remete à política ou ao controle que o comprova. Essa rastreabilidade permite ao analista validar informações sem pedir complementos. Sem contar que, uma revisão final feita por alguém de fora da equipe responsável tende a revelar incoerências que a rotina diária esconde.
A maturidade regulatória começa antes do protocolo do pedido
Em última análise, os erros de compliance que atrasam a PSAV compartilham a mesma origem: a preparação tardia. Dessa maneira, quem trata governança, documentação e controles como rotina permanente chega ao regulador com respostas prontas. Assim, a autorização deixa de depender de ajustes emergenciais e passa a refletir uma operação preparada para crescer com segurança.