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Folha de Teresina Notícias > Blog > Noticias > Quais obstáculos um migrante enfrenta ao buscar educação em uma nova cidade?  
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Quais obstáculos um migrante enfrenta ao buscar educação em uma nova cidade?  

Por Liam Everdale 5 Min de leitura 26/08/2026
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Alfredo Moreira Filho
Alfredo Moreira Filho

No dia 28 de fevereiro de 1953, um menino de sete anos desembarcou em Salvador para morar com avós que mal conhecia. A cena costuma ser lida como o momento em que tudo se resolve: a criança do interior chega à capital e o futuro se abre. A história real daqueles anos mostra o contrário e serve para desmontar uma crença que ainda circula sobre migração e estudo.

Contents
Chegar à cidade não significava entrar na escolaCada etapa dependia de um arranjo novoO emprego aos quatorze anos resolveu e limitouO que a mudança para a capital de fato resolve?

A crença diz que mudar para o centro urbano é o passo decisivo. No caso de Alfredo Moreira Filho, a chegada a Salvador foi apenas a condição inicial de uma sequência longa de arranjos, reprovações e mudanças de endereço. A capital ofereceu acesso, não garantia. A diferença entre as duas coisas explica boa parte do que veio depois.

Chegar à cidade não significava entrar na escola

O ensino primário foi concluído sem sobressalto, mas o passo seguinte tinha um funil próprio. O ingresso no ginásio dependia do exame de admissão, uma espécie de vestibular aplicado a crianças, e a reprovação era comum. A primeira tentativa não deu certo. Veio um ano de reforço com um professor conhecido pelo rigor e pelos castigos físicos, prática corrente na época, e o resultado se repetiu.

Duas reprovações seguidas mudaram a situação dentro de casa. Alfredo Moreira teve de deixar a residência dos avós maternos na Cidade Baixa, onde já viviam outros dois irmãos e onde o espaço para hospedar netos havia chegado ao limite. A vaga escolar, e não a passagem de barco, era o verdadeiro obstáculo, e ela não se conquistava por proximidade geográfica.

Cada etapa dependia de um arranjo novo

A solução veio por intermediação. Um tio acionou a rede de contatos e obteve uma bolsa que permitiu o ingresso, em 1959, no internato do Colégio Pamphilo de Carvalho, no bairro de Brotas. O regime era duro, com mais de duzentos alunos internos, beliches em salão coletivo e fila para tudo, mas resolvia dois problemas de uma vez: escola e moradia.

No terceiro ano, a bolsa foi renovada apenas para o semi-internato, o que devolveu o problema da cama e de uma das refeições. Seguiram-se a casa de um tio em Brotas e, depois, o subsolo da casa de outro no Tororó, onde uma mesa com lâmpada elétrica servia de espaço de estudo a Alfredo Moreira Filho. Nada disso era permanente, e cada mudança exigia negociação nova.

O emprego aos quatorze anos resolveu e limitou

Trabalhar de dia e estudar à noite virou a única equação possível. O primeiro emprego, também conseguido por parentes, foi de contínuo em uma agência bancária na Baixa do Sapateiro, com meio salário mínimo, valor então aplicado a menores de idade. A carteira assinada veio em 1960, aos quatorze anos, enquanto o ginásio e depois o curso científico avançavam em turmas noturnas.

O emprego resolveu a sobrevivência e desenhou um teto. Olhando a hierarquia da agência, do contínuo ao escriturário e do caixa à gerência, Alfredo Moreira não encontrou nenhum degrau que quisesse ocupar. Salvador não tinha curso de agronomia, que era o objetivo, e permanecer na cidade significava aceitar aquele desenho de carreira. Sair passou a ser condição para continuar.

O que a mudança para a capital de fato resolve?

A migração para estudar entrega uma coisa específica, e é bom nomeá-la: proximidade da oferta. Escola, seleção, emprego e biblioteca passam a estar ao alcance. O que ela não entrega é a permanência, que depende de moradia estável, renda mínima e alguém disposto a acolher enquanto a formação não termina.

Essa distinção continua válida. Programas de acesso ao ensino superior que ignoram custo de moradia, transporte e alimentação repetem, com outra roupagem, o mesmo desenho: a vaga existe, e o estudante não consegue ficar. Chegar é um evento, e permanecer é um processo. Confundir os dois é o erro que a história de qualquer migrante estudantil deixa evidente.

Tag:Alfredo Moreira FilhoEmpresário Alfredo Moreira FilhoFundador e Management do Grupo Valore+O que aconteceu com Alfredo Moreira FilhoQuem é Alfredo Moreira FilhoTudo sobre Alfredo Moreira Filho
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