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Brasil

Teresina, o Calor e as Gestantes: Por que a Capital Piauiense Está na Vanguarda das Políticas de Saúde Climática

Por Liam Everdale 9 Min de leitura 29/06/2026
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Enquanto Europa enfrenta mais de 1.300 mortes por ondas de calor em junho de 2026, Teresina já incorpora as altas temperaturas como fator de risco clínico no pré-natal; iniciativa pode virar modelo nacional.

Contents
O que o estudo revelou e como isso muda o pré-natalO calor como crise de saúde pública permanente

O calor extremo deixou de ser um problema apenas das grandes cidades europeias ou asiáticas. Neste final de junho de 2026, quando a Organização Mundial da Saúde alertou para os efeitos devastadores das altas temperaturas no continente europeu, Teresina já estava alguns passos à frente de muitas cidades brasileiras na forma de lidar com esse problema. A OMS informou que mais de 1.300 mortes acima do esperado foram atribuídas à onda de calor que atinge a Europa, com cerca de 150 milhões de pessoas vivendo sob condições de calor extremo. A organização afirmou que o fenômeno pressiona sistemas de saúde, afeta infraestruturas e sobrecarrega redes elétricas em diferentes países. O contraste com o que Teresina tem feito é revelador: enquanto países ricos ainda tratam o calor como episódio climático passageiro, a capital piauiense está construindo políticas públicas que reconhecem o problema como uma questão permanente de saúde. Diário do Centro do Mundo

Teresina é, historicamente, uma das cidades mais quentes do Brasil. A combinação de clima tropical semiárido, baixa arborização em várias zonas urbanas e aceleração das mudanças climáticas faz com que as ilhas de calor se intensifiquem a cada ano. O problema não afeta a população de forma uniforme: idosos, crianças, trabalhadores ao ar livre e, como uma pesquisa recente mostrou com dados concretos, as mulheres grávidas. A Agenda Teresina 2030 realizou uma pesquisa científica sobre os impactos do calor extremo na saúde das grávidas da capital e agora deu início à implantação de uma política pública que reconhece o calor extremo como fator de risco no pré-natal. A iniciativa foi motivada pela pesquisa “Análise do impacto do calor na saúde da mulher gestante de Teresina”, realizada com 411 gestantes atendidas nas Unidades Básicas de Saúde de Teresina. O número de participantes e a capilaridade da pesquisa pelas UBSs garantem representatividade, o que transforma os resultados em base sólida para políticas de saúde pública. Portal R10

O que o estudo revelou e como isso muda o pré-natal

As mulheres grávidas de Teresina manifestaram suas queixas, os sintomas, sua condição de vida e sua necessidade de mais informação sobre o que o calor provoca na sua saúde. Em parceria com a Fundação Municipal de Saúde, um novo pré-natal está sendo estruturado, incorporando o calor extremo como fator de risco. Na prática, isso significa que os profissionais de saúde passarão a perguntar sobre a exposição ao calor durante as consultas, assim como já perguntam sobre alimentação, pressão arterial ou histórico de doenças. A gestante que trabalha ao ar livre, mora em casa sem ventilação adequada ou passa horas no transporte público em dias de temperatura extrema estará mais vulnerável a complicações que, até agora, eram subnotificadas ou mal atribuídas a outras causas. Portal R10

O médico Breno Noah, da equipe técnica da FMS, explicou que o objetivo é que o impacto do calor passe a ser considerado um marcador clínico e epidemiológico nos atendimentos de pré-natal. “É preciso que as altas temperaturas de Teresina não sejam somente assunto para iniciar conversa. O calor extremo tem que ser colocado no centro das políticas de saúde da cidade”, disse. A iniciativa é pioneira no Brasil e coloca Teresina à frente de metrópoles que ainda não sistematizaram esse tipo de abordagem no atendimento pré-natal. O reconhecimento do calor como marcador clínico pode influenciar protocolos do Ministério da Saúde e servir de referência para outras cidades que enfrentam condições similares. Portal R10

A participação de Teresina no debate nacional também tem crescido. Através da Coordenação da Agenda Teresina 2030 e da Secretaria Municipal de Articulação Institucional, a Prefeitura de Teresina participou do 3º Encontro Nacional do Programa Cidades Verdes Resilientes, realizado em Brasília, com atividades na Câmara dos Deputados. O encontro reuniu representantes do Governo Federal, estados, municípios e organismos parceiros para discutir soluções voltadas à ação climática local. O fato de Teresina ocupar um lugar nessa mesa significa que a cidade não está apenas reagindo ao problema, mas contribuindo ativamente para a formulação de respostas em nível nacional, algo que pode reverter em políticas e recursos para o Piauí. Viagora

O calor como crise de saúde pública permanente

Leonardo Madeira afirmou que o enfrentamento ao calor extremo exige uma abordagem integrada entre planejamento urbano, justiça climática e proteção social. “O calor extremo já é uma realidade nas cidades brasileiras e afeta principalmente as populações mais vulneráveis. Participar desse debate nacional é importante para compartilhar experiências e fortalecer políticas públicas que tornem Teresina mais resiliente, humana e preparada para os desafios climáticos.” A articulação entre planejamento urbano e políticas de saúde é exatamente o ponto que falta na maior parte das cidades brasileiras. Tratar o calor como questão de saúde pública exige reconhecer que a arborização urbana, o acesso à sombra, os espaços climatizados e a qualidade da habitação popular são fatores tão determinantes para a saúde quanto o acesso a vacinas ou medicamentos. Viagora

O cenário internacional de 2026 deixa pistas importantes sobre o que pode acontecer no Brasil nos próximos anos se não houver uma mudança de abordagem. A Ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, afirmou que os efeitos do calor extremo podem continuar por até dez dias mesmo após a queda das temperaturas, indicando que o impacto sobre a saúde é mais prolongado do que o fenômeno em si. O dado é relevante para o planejamento de serviços de saúde em cidades como Teresina, onde as altas temperaturas não são episódios isolados de verão, mas uma condição praticamente crônica em determinados meses do ano. Diário do Centro do Mundo

A Reuters informou que a Europa enfrenta calor extremo desde 20 de junho de 2026, com temperaturas acima de 40°C, pressão sobre hospitais, impactos em infraestrutura e alerta da OMS para cerca de 150 milhões de pessoas expostas a calor extremo. Para uma capital nordestina que convive com índices similares há décadas, a lição europeia chega como confirmação do que os gestores de saúde de Teresina já percebem no dia a dia das UBSs: o calor mata, adoece e sobrecarrega sistemas de saúde, e esperar por uma crise de proporções europeias para agir seria um erro que o Piauí, dentro dos seus limites, está tentando evitar. CPG Click Petróleo e Gás

A trajetória de Teresina na construção de uma política de saúde climática ainda é curta, mas a lógica é sólida: identificar os grupos mais vulneráveis, produzir dados científicos locais e incorporar o calor como variável clínica nos atendimentos do dia a dia. Se a cidade conseguir consolidar esse modelo e apresentá-lo como uma política replicável, a capital piauiense pode transformar uma das suas maiores adversidades climáticas numa das suas contribuições mais significativas para a saúde pública brasileira.

Fontes consultadas: Portal R10 | Viagora | CNN Brasil | Portal AZ

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