O Dr. Haeckel Cabral Moraes analisa que conversar sobre implantes mamários com responsabilidade envolve decisões que vão além de volume e projeção, já que segurança depende de rastreabilidade, seleção adequada do dispositivo e um plano claro de acompanhamento. A tecnovigilância ganhou espaço justamente por organizar notificações de eventos adversos e queixas técnicas, criando um retrato mais realista do pós-mercado e ajudando a orientar condutas preventivas.
Tecnovigilância e rastreabilidade como parte do cuidado
Conforme detalha Haeckel Cabral Moraes, tecnovigilância não é apenas um tema regulatório, pois influencia a prática ao reforçar a importância de registrar o implante, guardar dados de identificação do produto e reconhecer situações em que vale investigar a integridade do dispositivo. Quando existe rastreabilidade, torna-se mais simples responder a alertas, cruzar informações e conduzir revisões com método, sobretudo em cenários de queixa persistente ou alteração tardia do contorno.
Nesse sentido, o sistema de notificações serve como um mecanismo de aprendizado coletivo, porque eventos raros só se tornam visíveis quando são reportados de forma consistente. Por conseguinte, o paciente se beneficia quando entende que acompanhamento não se restringe ao pós-operatório imediato, pois inclui revisão periódica e orientação objetiva sobre sinais que justificam retorno, mesmo muitos anos depois do procedimento.
Superfície do implante, contexto clínico e decisão prudente
Na avaliação de Haeckel Cabral Moraes, discutir características do implante, como a superfície, exige contexto clínico e indicação bem delimitada, pois não existe escolha universalmente superior para todos os perfis. A decisão precisa considerar anatomia torácica, qualidade de pele, histórico de cicatrização, plano cirúrgico e fatores que influenciam previsibilidade, além de avaliar como cada variável pode impactar estabilidade, conforto e necessidade de revisões futuras.

Por outro lado, a discussão moderna sobre superfície também passou a incluir eventos raros associados a determinados tipos de implante, o que reforça a necessidade de consentimento informado bem conduzido e alinhado a evidências. Ainda assim, o foco prático não deve ser alarmista, e sim orientado por critérios de seleção e por uma comunicação clara sobre o que observar ao longo do tempo, reduzindo a chance de ignorar sinais relevantes.
Sinais tardios que exigem investigação e o raciocínio clínico
Haeckel Cabral Moraes ressalta que mudanças tardias no tórax, principalmente aumento de volume por acúmulo de líquido, assimetria nova, aparecimento de massa ou endurecimento progressivo, devem motivar avaliação clínica, porque nem toda alteração tardia é “normal do tempo”. Uma manifestação frequentemente discutida na literatura é o seroma tardio, que pode ser benigno em muitos casos, mas também é um sinal que, quando sintomático e persistente, exige investigação adequada.
Dessa forma, a conduta costuma incluir exame físico e métodos de imagem conforme necessidade, com atenção à história do implante, ao tempo de evolução e aos achados associados. Quando existe suspeita clínica, a coleta e análise do líquido podem ser parte da investigação, pois a segurança depende de esclarecer a causa antes de definir qualquer intervenção. Entretanto, a maioria das pacientes não terá eventos raros, e a orientação mais útil é reconhecer sinais de alerta e manter acompanhamento estruturado.
Acompanhamento de longo prazo e papel dos exames de imagem
Sob a perspectiva de Haeckel Cabral Moraes, acompanhamento a longo prazo inclui avaliar integridade do implante e complicações como contratura capsular e ruptura, inclusive as silenciosas. Recomendações públicas citam que, para implantes de silicone, exames de rastreio podem começar anos após a cirurgia, com ultrassom ou ressonância magnética em intervalos regulares, ainda que existam divergências entre sociedades sobre a necessidade de imagem em pacientes assintomáticas.
Assim, o plano de seguimento precisa ser personalizado, levando em conta sintomas, tempo de implante e contexto clínico, sem transformar a rotina em um protocolo rígido para todos. Ao mesmo tempo, manter registros do dispositivo, realizar revisões periódicas e procurar avaliação quando surgir qualquer mudança persistente favorece decisões mais seguras e reduz atrasos diagnósticos em situações que pedem investigação.
Autor: Vladimir Shestakov
