Perto de Lisboa, o Queijo de Azeitão DOP, o Moscatel de Setúbal e a paisagem protegida da Serra da Arrábida formam um roteiro que aproxima gastronomia, vinho e território na Península de Setúbal
A menos de uma hora de Lisboa, Azeitão reúne alguns dos produtos mais associados à Península de Setúbal. De um lado está o Queijo de Azeitão, feito com leite cru de ovelha e coalhado com flor de cardo. De outro, o Moscatel de Setúbal, vinho licoroso cuja história na região atravessa séculos e permanece ligada a produtores estabelecidos aos pés da Serra da Arrábida.
A proximidade com a capital permite combinar essas tradições em um mesmo dia sem reduzir a visita a uma sequência de degustações. Antonella Giancoli, da Benarrivati, inclui Azeitão nos roteiros por Portugal justamente pela possibilidade de relacionar aquilo que chega à mesa com a paisagem, o clima e os métodos de produção da região.
Um queijo que depende da flor de cardo
O Queijo de Azeitão DOP é produzido com leite cru de ovelha e utiliza como coagulante vegetal a flor do cardo, Cynara cardunculus. O resultado é um queijo curado, de pasta semimole e amanteigada, com sabor que combina notas ácidas, salgadas e ligeiramente picantes.
Apesar de hoje ser um dos produtos mais conhecidos da região, sua história é relativamente recente quando comparada a outras tradições portuguesas. A produção começou no século XIX, quando Gaspar Henriques de Paiva, natural da Beira Baixa, levou ovelhas para Azeitão e tentou reproduzir métodos associados aos queijos da Serra da Estrela. As condições locais acabaram dando origem a um produto com características próprias.
A área protegida pela denominação inclui os concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal. Conhecer um produtor permite observar como leite, cardo, temperatura e tempo de cura interferem diretamente na textura que tornou o queijo reconhecível.
Uma casa fundada em 1834 e a história do Moscatel
Outro capítulo importante está em Vila Nogueira de Azeitão, onde José Maria da Fonseca fundou, em 1834, a empresa que leva seu nome. A companhia permanece familiar e está atualmente na sétima geração, apresentando-se como o mais antigo produtor de vinho de mesa e de Moscatel de Setúbal em atividade em Portugal.
A data de 1834, porém, corresponde à fundação da casa, não à origem do Moscatel de Setúbal. Há registros da exportação de vinhos moscatéis portugueses para a Inglaterra já no século XIV, enquanto a denominação de Setúbal começou a ser regulamentada oficialmente no início do século XX.
Hoje, a DOP Setúbal é reservada aos vinhos licorosos da região, entre eles Moscatel de Setúbal e Moscatel Roxo de Setúbal. A versão branca apresenta tradicionalmente aromas cítricos, florais, de mel e frutos secos, que se tornam mais complexos com o envelhecimento.
Comparar diferentes idades durante uma degustação ajuda a perceber justamente essa transformação, da expressão mais fresca e aromática dos exemplares jovens às notas mais concentradas desenvolvidas ao longo do tempo.
Por que a Benarrivati inclui Azeitão no roteiro
Para Antonella, o interesse da região está na possibilidade de compreender produtos muito diferentes a partir do mesmo território.
“Azeitão funciona muito bem porque queijo, vinho e paisagem não aparecem como experiências separadas. Quando a família conhece o cardo usado no queijo, entende a história do Moscatel e depois olha para a Serra da Arrábida, percebe que existe um território conectando tudo isso. É uma maneira de sair de Lisboa por algumas horas e descobrir uma Portugal completamente diferente sem precisar percorrer uma grande distância”, explica Antonella Giancoli.
Nos roteiros da Benarrivati, as visitas podem ser organizadas de acordo com os produtores disponíveis, a época do ano e o perfil de quem viaja, combinando queijarias, adegas e uma passagem pela Arrábida sem transformar o dia em uma sucessão acelerada de paradas.
Uma serra protegida entre vinhedos e o Atlântico
Criado em 1976, o Parque Natural da Arrábida protege a serra e parte de seu litoral, uma área marcada por vegetação mediterrânica, formações calcárias e encostas que descem em direção ao mar.
Dentro dessa paisagem está também o Convento da Arrábida, fundado em 1542 por Frei Martinho de Santa Maria em terras cedidas pelo primeiro duque de Aveiro. O complexo acompanha a encosta e reúne construções religiosas distribuídas entre diferentes níveis da serra.
A combinação ajuda a ampliar a passagem por Azeitão para além da gastronomia. Vinhas, produção de queijo, adegas e a própria configuração da serra mostram como a identidade da Península de Setúbal foi construída a partir de condições naturais e atividades humanas que continuam convivendo no mesmo território.
Nos roteiros da Benarrivati, Antonella Giancoli trata Azeitão e a Arrábida como um contraponto à experiência urbana de Lisboa. Em menos de um dia, a viagem passa da capital a uma paisagem de produtores, vinhedos e serra protegida, mostrando outro lado de Portugal sem que seja necessário seguir para uma região distante.
Sobre a Benarrivati
Fundada e liderada por Antonella Giancoli, a Benarrivati é uma holding de viagens de alto padrão especializada em desenhar jornadas sob medida pelo solo europeu e africano. Com operação própria e equipes de concierges locais, a companhia elimina intermediários para garantir segurança jurídica, transparência financeira e discrição inegociável em cada etapa da experiência. Pautada pela ética do relacionamento e pela valorização do tempo, a Benarrivati transforma a hospedagem em propriedades privadas em uma forma de preservar memórias e legados familiares.