Pesquisa AtlasIntel/Meio Norte, registrada no TSE, mostra cenário eleitoral favorável ao PT no estado; vagas ao Senado Federal dividem o campo da oposição.
O Piauí entra no segundo semestre de 2026 com um mapa eleitoral já bastante definido para outubro. O governador Rafael Fonteles aparece em posição confortável na corrida pelo Governo do estado, com 63,5% das intenções de voto. Joel Rodrigues tem 22,9%, enquanto votos em branco ou nulos somam 5,6% e indecisos, 3,3%. A pesquisa, realizada pelo instituto AtlasIntel em parceria com o Meio Norte, foi publicada na segunda-feira, 22 de junho, e representa um retrato atualizado das preferências do eleitorado piauiense a pouco mais de três meses do primeiro turno. O levantamento reforça o peso do PT num estado que, historicamente, funciona como um dos principais redutos eleitorais do partido no Nordeste, e acende o sinal de alerta para a oposição, que ainda busca uma candidatura capaz de unificar forças e transformar a disputa em algo mais competitivo. Lupa1
Mais do que confirmar a liderança de Fonteles, a pesquisa coloca números concretos em torno de algo que já se percebia na movimentação política estadual: a dificuldade da oposição em consolidar uma alternativa. Na sequência do governador, aparece o ex-deputado estadual Joel Rodrigues (PP), com 22,9%; a seguir, 11 candidatos aparecem empatados pela margem de erro: Toni Rodrigues (PL) somando 1,5%; Elizeu Aguiar (Novo), 1%; Gisvaldo Oliveira (Psol), 1%; Mainha (Podemos), 0,5%; além de outros com percentuais inferiores. O quadro indica que o campo adversário ainda carece de coordenação e de uma figura que consiga agregar votos além de sua base eleitoral mais imediata. CNN Brasil
O que explica a vantagem de Fonteles?
Os números da pesquisa também indicam um cenário favorável ao governador quando o assunto é avaliação administrativa. 62% dos entrevistados aprovam a gestão estadual, enquanto 25,7% manifestam desaprovação. Outros 12,3% não souberam opinar. Esse índice de aprovação é relevante porque, em contextos eleitorais, avaliação de governo e intenção de voto costumam caminhar juntos. Quando o eleitor aprova a gestão, tende a recompensar o candidato nas urnas; quando reprova, abre espaço para a alternância. No Piauí, a avaliação positiva da administração estadual representa um ativo considerável para a campanha petista, que provavelmente usará as realizações do governo como principal argumento ao longo do período eleitoral. Lupa1
Outro dado que merece atenção é o percentual de eleitores que considera que Fonteles merece ser reeleito. Nesse quesito, 63,6% consideram que o governador merece ser reeleito, enquanto 27,4% avaliam que ele não deveria conquistar um novo mandato. Já 9% não responderam. O percentual é praticamente idêntico ao da intenção de voto, sugerindo que a base eleitoral do governador está consolidada e que há pouco espaço para variações significativas. Para a oposição, reverter esse quadro exigiria um fato político novo, algum episódio capaz de abalar a imagem do governo de forma estrutural, algo que, a menos de cem dias do pleito, se torna cada vez mais improvável. Lupa1
O levantamento reforça a força eleitoral do Partido dos Trabalhadores no estado. Nas eleições presidenciais de 2022, o Piauí foi um dos estados em que Lula obteve um dos melhores desempenhos do país, conquistando 74% dos votos válidos no primeiro turno e 76,84% no segundo. Esse histórico demonstra que o alinhamento do eleitorado piauiense com o campo petista não é conjuntural, mas possui raízes que vão além de ciclos governamentais específicos. A aprovação de Fonteles, nesse sentido, dialoga com um contexto mais amplo de identificação política da população com o projeto liderado pelo PT no estado. Portal NE9
A disputa pelo Senado Federal e o equilíbrio entre os nomes
Se na corrida ao governo o quadro parece resolvido, a disputa pelas duas vagas ao Senado Federal apresenta um panorama bem mais incerto e, por isso, mais movimentado. Na corrida pelas duas vagas do Senado Federal pelo Piauí, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) lidera as intenções de voto, com 20,1%, seguido pelo deputado federal Júlio Cesar (PSD-PI), com 15,8%, e pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), com 12,6%. A proximidade entre os três nomes, dentro ou próxima à margem de erro de três pontos percentuais, indica que nenhum dos candidatos pode se considerar garantido e que a disputa deve se intensificar nos próximos meses. Metrópoles
A metodologia do levantamento considerou a soma dos votos para as duas cadeiras disponíveis. No cenário estimulado, foram medidos o primeiro e o segundo votos dos entrevistados, consolidados em seguida. A pesquisa foi organizada pelo próprio instituto AtlasIntel, sem encomendante externo. O formato de dois votos para o Senado em um único pleito costuma produzir dinâmicas interessantes: o eleitor pode dividir as preferências entre campos distintos, o que abre espaço para candidatos de diferentes espectros políticos conquistarem uma das vagas. Esse fator pode beneficiar tanto Marcelo Castro, nome mais associado ao centro, quanto algum dos candidatos de oposição que consiga se posicionar como alternativa ao bloco governista. Gazeta do Povo
No cenário de primeiro voto para o Senado, Marcelo Castro lidera com 26,7%, seguido por Ciro Nogueira, com 18,3%, e Júlio César, com 13,4%. Tiago Junqueira registra 7,5%. Já no levantamento referente ao segundo voto, Júlio César assume a liderança, com 18,3% das citações, e Marcelo Castro surge em seguida com 13,5%. A variação entre primeiro e segundo voto revela que há um eleitorado fluido, que ainda não definiu como distribuirá suas duas escolhas, o que torna o cenário senatorial genuinamente aberto e imprevisível. Lupa1
O que muda até outubro?
Na pesquisa anterior, realizada em 19 de maio, o atual governador do estado, Fonteles, tinha 63,4%, e Joel, 24,7%. A estabilidade dos números ao longo do mês de junho confirma que o quadro está consolidado, pelo menos por enquanto. Qualquer alteração expressiva exigiria uma mudança nas condições objetivas da campanha, seja a entrada de um candidato de oposição com maior penetração popular, seja um desgaste da imagem governamental por algum episódio inesperado. Metrópoles
O estudo entrevistou 1.197 pessoas no Estado do Piauí, de 16 a 21 de junho de 2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. O grau de confiança do levantamento é de 95%. Está registrado no TSE sob os números BR-08344/2026 e PI-00806/2026. A pesquisa custou R$ 80.000 e foi paga com recursos da TV Meio Norte. Com quatro meses pela frente, os candidatos ao governo e ao Senado vão intensificar agendas, lançar programas e buscar alianças. O período de registro de candidaturas se aproxima, e com ele virão as definições que podem alterar, ou confirmar, o que as pesquisas já mostram com clareza: o Piauí de 2026 tem um favorito consolidado e uma disputa senatorial que ainda vai dar pano para manga. Poder360
Fontes consultadas: Lupa1 | CNN Brasil | Poder360 | Metrópoles