Uma empresa pode apresentar lucro crescente ao longo de vários anos fiscais consecutivos e, ainda assim, estar destruindo valor de forma silenciosa e gradual, sem que essa erosão apareça de forma evidente em seus demonstrativos financeiros tradicionais. Segundo Valdoir Slapak, esse fenômeno específico costuma passar despercebido justamente porque a atenção da liderança se concentra no crescimento do lucro em termos absolutos, sem avaliar com o devido rigor se esse crescimento é proporcional ao volume de capital que a empresa precisou empregar para conquistá-lo ao longo do tempo.
O que o ROIC mede?
O ROIC, sigla em inglês para retorno sobre capital investido, mede exatamente essa proporção específica: quanto de retorno operacional a empresa gera para cada unidade de capital investido em sua operação, considerando tanto capital próprio quanto capital de terceiros aplicados no negócio ao longo do período. Como indica Valdoir Slapak, essa métrica financeira responde a uma pergunta central que o lucro absoluto, isoladamente, jamais conseguiria responder com precisão: a empresa está usando seu capital de forma eficiente, ou está apenas crescendo por acumular mais capital empregado, independentemente da eficiência com que esse capital é efetivamente utilizado na operação?
ROIC e WACC como termômetro de valor
Enquanto o WACC representa o custo mínimo de capital que um projeto ou uma empresa precisa superar para justificar o investimento, o ROIC representa o retorno efetivamente gerado por esse capital já empregado na operação. A comparação entre esses dois indicadores funciona como termômetro definitivo de criação de valor: quando o ROIC supera o WACC, a empresa cria valor de forma consistente; quando o ROIC fica abaixo do WACC, a empresa destrói valor, mesmo que continue apresentando lucro contábil positivo período após período. Essa comparação específica, mais do que qualquer indicador financeiro isolado, costuma ser o critério mais confiável para avaliar se a estratégia de crescimento de uma empresa está efetivamente beneficiando seus acionistas ou apenas ampliando o tamanho da operação sem ganho real de eficiência.

Empresas com lucro crescente, mas ROIC estagnado ou em queda consistente ao longo dos períodos avaliados, costumam apresentar um padrão comum e recorrente, como situa Valdoir Slapak: o crescimento do lucro vem acompanhado de crescimento ainda maior no capital empregado para sustentá-lo, seja por meio de novos investimentos em ativos fixos, aquisições de outras empresas ou expansão de capital de giro. Esse padrão específico indica que a empresa está crescendo de forma cada vez menos eficiente ao longo do tempo, consumindo cada vez mais capital para gerar cada unidade adicional de lucro reportado no resultado.
Cuidados metodológicos no cálculo
O cálculo do ROIC exige atenção especial e cuidadosa à definição do que efetivamente constitui capital investido, já que diferentes metodologias podem incluir ou excluir determinados ativos, como caixa excedente não operacional ou investimentos financeiros não relacionados à atividade principal da empresa. Definir esse critério de forma consistente e rigorosa ao longo do tempo, e manter a mesma metodologia em comparações entre períodos diferentes, é essencial para que a análise da trajetória do indicador seja efetivamente confiável e comparável. Incluir ou excluir determinados itens de forma inconsistente entre um período e outro pode gerar variações no ROIC que refletem apenas mudanças metodológicas pontuais, e não alterações reais na eficiência com que a empresa utiliza seu capital investido na operação.
Monitoramento e comparação com o setor
Sob o entendimento de Valdoir Slapak, executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, empresas que monitoram o ROIC de forma recorrente e disciplinada, comparando sua trajetória ao longo de diferentes períodos, conseguem identificar precocemente se seus investimentos estão gerando retorno crescente ou decrescente, informação que dificilmente ficaria evidente apenas pelo acompanhamento do lucro líquido isolado do capital que sustenta esse resultado financeiro.
Empresas de setores intensivos em capital, como indústria pesada e infraestrutura, tendem a apresentar ROIC estruturalmente mais baixo do que empresas de setores menos intensivos em ativos, como serviços de tecnologia, o que torna a comparação direta entre esses setores pouco informativa sem os devidos ajustes de contexto. Comparar o ROIC de uma empresa com o de seus próprios concorrentes diretos do mesmo setor, e com sua própria trajetória histórica ao longo dos últimos anos, costuma revelar informação muito mais relevante do que comparações genéricas entre setores completamente distintos entre si, com dinâmicas de capital fundamentalmente diferentes.