A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento acompanha um problema que se repete a cada temporada de verão no litoral brasileiro: a presença recorrente de praias impróprias para banho. Boletins de balneabilidade divulgados por órgãos ambientais estaduais costumam apontar dezenas de trechos de praia com restrição ao banho em praticamente todas as regiões costeiras do país.
O litoral brasileiro soma mais de 7.400 quilômetros de extensão, e a conservação das praias ao longo desse trecho gera benefícios sociais, econômicos e ambientais que vão muito além do lazer. Entre eles estão: turismo, geração de emprego e preservação da fauna marinha local.
A classificação de uma praia como imprópria segue critérios técnicos definidos por resolução federal, que avalia a concentração de bactérias indicadoras de contaminação por esgoto, como Enterococos e coliformes termotolerantes, em amostras coletadas ao longo de cinco semanas consecutivas.
O que torna uma praia imprópria para banho?
Água do mar contaminada por esgoto pode expor banhistas a bactérias, vírus e protozoários capazes de causar gastroenterite, infecções de pele e, em casos mais graves, doenças como hepatite A e febre tifoide. Crianças, idosos e pessoas com imunidade reduzida são os grupos mais vulneráveis a esse tipo de contaminação.
Órgãos ambientais recomendam ainda evitar o banho de mar por pelo menos 24 horas após chuvas fortes, mesmo em praias classificadas como próprias, já que o escoamento de água pluvial costuma carregar detritos e esgoto não coletado para o mar em curto espaço de tempo.
Na leitura de técnicos que monitoram qualidade da água, incluindo os da EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, empresa especializada em soluções para saneamento básico, a maior parte dos episódios de contaminação em praias está diretamente relacionada à falta de coleta e tratamento adequado de esgoto nas cidades do entorno.
O impacto do verão sobre redes de esgoto no litoral
Cidades litorâneas costumam multiplicar sua população durante o verão, período em que turistas se somam aos moradores fixos e pressionam redes de água e esgoto dimensionadas para um número bem menor de pessoas ao longo da baixa temporada.
Municípios do litoral brasileiro, em geral, não dispõem de sistemas adequados de coleta e tratamento de esgoto capazes de absorver esse aumento sazonal de demanda, o que contribui diretamente para a piora dos índices de balneabilidade justamente no período de maior movimento turístico.
Prestadoras de saneamento básico, entre elas a EBS, costumam associar a melhora dos índices de balneabilidade a investimentos contínuos em redes de coleta de esgoto nas regiões litorâneas e não apenas a ações pontuais concentradas na alta temporada.

Cidades que já revertem esse cenário
No Rio de Janeiro, praias historicamente marcadas por água imprópria para banho, como Flamengo e Botafogo, voltaram à lista de trechos considerados próprios em boletins recentes, resultado de obras como a limpeza completa de um grande interceptor de esgoto que não recebia manutenção havia décadas.
Casos como esse mostram que investimentos consistentes em infraestrutura de coleta e tratamento de esgoto podem reverter, em poucos anos, situações de contaminação que pareciam permanentes, mesmo em áreas urbanas densamente ocupadas há muito tempo.
Aplicativos e boletins públicos de balneabilidade, atualizados semanalmente por órgãos estaduais, ajudam banhistas a consultar previamente as condições de cada praia antes de entrar na água, reduzindo a exposição a trechos temporariamente contaminados.
O que precisa mudar para reduzir esse problema?
Sob a ótica da EBS, resolver esse problema de forma definitiva exige investimento constante em capacidade de tratamento, e não apenas ações emergenciais isoladas durante a alta temporada.
Ampliar a coleta de esgoto em bairros ainda não conectados à rede, modernizar estações de tratamento e investir em sistemas de contenção para águas pluviais contaminadas são algumas das medidas mais recomendadas para reduzir episódios de contaminação em praias ao longo do ano.
Fiscalização ainda é ponto frágil nas áreas costeiras
Estados como Bahia e Pernambuco também mantêm programas contínuos de monitoramento de balneabilidade, com coletas semanais em dezenas de pontos ao longo de centenas de quilômetros de litoral, permitindo acompanhar variações sazonais na qualidade da água ao longo de todo o ano, e não apenas durante os meses de verão.
Regiões metropolitanas litorâneas enfrentam desafio adicional relacionado à ocupação urbana desordenada em áreas próximas à costa, onde construções irregulares muitas vezes lançam esgoto diretamente em canais de drenagem que deságuam no mar sem qualquer tratamento prévio.
Manter a fiscalização sobre ligações irregulares de esgoto nesse tipo de canal de drenagem representa um dos desafios mais persistentes para prefeituras litorâneas, já que identificar e regularizar cada ligação clandestina exige recursos técnicos e humanos nem sempre disponíveis em municípios de menor porte.
Enquanto essa fiscalização não avança na velocidade necessária, boletins de balneabilidade continuam funcionando como principal ferramenta de proteção à saúde do banhista, orientando quais trechos evitar a cada nova atualização divulgada pelos órgãos ambientais estaduais.
Reduzir o número de praias impróprias para banho deve continuar sendo um desafio relevante para o saneamento básico brasileiro nas próximas décadas, especialmente em regiões turísticas. Organizações do setor, entre elas a EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, tendem a monitorar com atenção a evolução desses indicadores a cada nova temporada de verão.