Pesquisa AtlasIntel aponta governador com 63,4% para reeleição; corrida ao Senado tem Marcelo Castro, Júlio César e Ciro Nogueira disputando duas vagas.
A corrida eleitoral de 2026 no Piauí tem um favorito claro ao governo do estado e uma disputa bem mais aberta pelas cadeiras do Senado. O quadro foi desenhado pela pesquisa AtlasIntel divulgada em maio, realizada com 1.240 entrevistados entre os dias 13 e 18 daquele mês e registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob os códigos PI-05475/2026 e BR-03243/2026. Os dados confirmam o que pesquisas anteriores vinham apontando: o governador Rafael Fonteles (PT) chega à temporada pré-eleitoral com uma vantagem que, se confirmada nas urnas, significará vitória já no primeiro turno.
Para muitos analistas, o desempenho de Fonteles nas pesquisas reflete uma combinação de fatores. O governador soube articular a identidade com o presidente Lula sem perder o diálogo com setores moderados do eleitorado. Pautas como segurança pública e desenvolvimento tecnológico, normalmente associadas a projetos de centro e direita, foram incorporadas ao discurso e às ações do governo. Ao mesmo tempo, obras de infraestrutura que têm impacto direto no cotidiano das pessoas, como o metrô e o saneamento, contribuem para uma aprovação que vai além dos eleitores petistas tradicionais.
O que dizem os números para o governo do estado
No cenário estimulado para o Palácio de Karnak, Rafael Fonteles (PT) aparece com 63,4% das intenções de voto, segundo a AtlasIntel. O ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (Progressistas), ocupa o segundo lugar com 24,7%. Os demais candidatos somados não chegam a 2% das intenções de voto, com brancos e nulos representando 4,9% do total. A margem de erro da pesquisa é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Para que a vitória no primeiro turno ocorra, é necessário que o candidato obtenha mais de 50% dos votos válidos. Com 63,4% incluindo brancos e nulos, os votos válidos de Fonteles são proporcionalmente ainda mais elevados, o que aponta para um cenário de vitória expressiva sem necessidade de segundo turno. Em simulações de segundo turno testadas por diferentes institutos ao longo dos últimos meses, o governador venceu em todos os cenários possíveis. O principal adversário, Ciro Nogueira (Progressistas), que já foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro, não consegue chegar ao patamar dos 30% em nenhuma das simulações disponíveis.
Segundo o cientista político ouvido pelo Brasil de Fato, Fonteles representa uma geração diferente dentro do PT, distante da origem sindical que marcou o partido nos anos 1980 e 1990, e mais próxima de um perfil técnico e empresarial. Essa combinação de identidade partidária com posicionamento moderado tem funcionado no Piauí, estado que o PT governa desde 2003.
A disputa pelo Senado tem mais incertezas
Se para o governo do estado o cenário é relativamente previsível, a corrida pelas duas vagas ao Senado Federal é bem mais disputada. Como cada eleitor votará em dois nomes, a pesquisa AtlasIntel consolidou os resultados de primeiro e segundo votos. Na liderança aparece o senador Marcelo Castro (MDB) com 24,1%, seguido pelo deputado federal Júlio César (PSD) com 18,1%. O ex-senador Ciro Nogueira (PP), enredado no escândalo envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro, aparece em terceiro com 11,9%.
O cenário para o Senado tem nuances importantes. Marcelo Castro aposta na estabilidade de sua base histórica no MDB e no alinhamento com o Palácio de Karnak. Júlio César, do PSD, parte do controle da maior bancada de prefeitos no interior do estado, o que representa um capital político considerável na eleição majoritária. Nogueira, por sua vez, chega ao período pré-eleitoral enfraquecido pelo escândalo que afetou sua imagem pública.
Com indecisos somando 13,3% e brancos e nulos chegando a 16,2%, há margem para que o quadro se altere nos próximos meses. Alianças de palanque, definição de chapas e o desdobramento do cenário nacional, especialmente a candidatura presidencial de Lula e do campo da oposição, devem influenciar diretamente a corrida senatorial piauiense.
A fotografia eleitoral de 2026 no Piauí mostra um estado governado há mais de duas décadas pelo PT, com uma liderança executiva sólida e uma disputa legislativa que ainda tem muitas páginas para escrever. O segundo semestre deve trazer mais pesquisas, definições de chapas e o surgimento de novos nomes. Por ora, os números indicam que o mapa político piauiense tende a manter sua configuração, com Fonteles como figura central e a corrida pelo Senado como o verdadeiro campo aberto da eleição.
Fontes: AtlasIntel / TSE PI-05475/2026 | Brasil de Fato | Cidadeverde.com
Autor: Diego Rodríguez Velázquez