Capital piauiense sobe 14 posições no ranking nacional e registra queda expressiva em atendimentos hospitalares por doenças de transmissão hídrica.
Teresina tem dado passos concretos para mudar uma realidade que por décadas penalizou quem mora nas zonas periféricas da cidade. O mais recente Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil, colocou a capital do Piauí como a cidade brasileira que mais avançou no setor, com um salto de 14 posições em relação ao levantamento anterior. O resultado não é apenas estatístico: ele tem impacto direto na saúde de quem vive na cidade.
Desde 2017, mais de R$ 1,3 bilhão foram investidos em obras de abastecimento de água e esgotamento sanitário na capital. A cobertura de esgoto, que era de cerca de 19%, passou para mais de 59%. O abastecimento de água na zona urbana foi universalizado em 2020, beneficiando mais de 826 mil pessoas. Esses números colocam Teresina em um patamar incomum para cidades nordestinas de mesmo porte.
O que mudou na saúde da população
Os efeitos do saneamento sobre a saúde pública não demoram a aparecer quando os investimentos são feitos de forma consistente. Em Teresina, a queda nos atendimentos hospitalares por doenças de transmissão hídrica é um dos indicadores mais contundentes dos últimos anos. No Hospital da Criança, os atendimentos relacionados a esse tipo de enfermidade caíram de 4.003 para 3.121, uma redução de 22% num período de referência que coincide com a ampliação da rede de esgoto e o avanço das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs).
A Organização Mundial da Saúde estima que cada R$ 1 investido em saneamento básico gera uma economia de cerca de R$ 4 em gastos com saúde pública. Em Teresina, essa equação tem se confirmado, com a redução da demanda em serviços pediátricos e menos internações por diarreias e infecções gastrointestinais, doenças que ainda assolam municípios sem acesso adequado à água tratada e ao esgoto coletado.
A infraestrutura já implantada é significativa: mais de 728 km de redes de abastecimento de água, 137 poços perfurados e 24 novos sistemas de bombeamento. No lado do esgoto, são mais de 483 km de redes e 29 ETEs, responsáveis por tratar aproximadamente 40 milhões de litros de esgoto por dia. O conjunto dessas obras representa uma das maiores transformações na infraestrutura urbana da capital nas últimas décadas.
O que ainda precisa avançar
Apesar dos números positivos, o avanço do saneamento em Teresina ainda enfrenta desafios que merecem atenção. A cobertura de esgoto, mesmo tendo triplicado, ainda deixa mais de 40% da cidade sem coleta adequada. Nas zonas mais periféricas, onde a urbanização acontece de forma mais acelerada e menos planejada, as redes ainda não chegam com a mesma velocidade com que os bairros crescem.
Outro ponto sensível é a qualidade do abastecimento. Interrupções frequentes em diferentes zonas da cidade, motivadas por manutenções emergenciais e falhas em equipamentos, seguem sendo uma queixa recorrente dos moradores. Em maio de 2026, uma manutenção em adutora de grande porte deixou 55 bairros sem água por um dia inteiro. A Águas de Teresina, concessionária responsável pelo serviço, disponibiliza o número 0800 223 2000 para contato em situações de interrupção.
O avanço real depende também de integração entre as políticas de saneamento e as de habitação, drenagem e preservação dos rios. Teresina é banhada pelos rios Parnaíba e Poti, corpos hídricos que ainda recebem carga de esgoto não tratado em alguns trechos, o que limita os ganhos ambientais e de saúde mesmo com toda a evolução registrada.
A trajetória de Teresina no saneamento é um caso que merece acompanhamento por outras capitais nordestinas. O avanço registrado mostra que investimento contínuo, em prazo longo e com metas claras, produz resultados mensuráveis. A queda nos atendimentos hospitalares é a prova mais visível disso. Para quem vive na cidade, a próxima fronteira é garantir que a cobertura de esgoto ultrapasse os 70%, consolidando Teresina como referência nacional em saúde pública e qualidade de vida urbana.
Fontes: Instituto Trata Brasil | Conecta Piauí | Organização Mundial da Saúde
Autor: Diego Rodríguez Velázquez